“O Drama” e o colapso do amor idealizado no cinema contemporâneo
Dirigido por Kristoffer Borgli, filme revisita o amor sob a ótica da dúvida e da revelação
Por Rogério Barbosa
Publicado em 07/04/2026 10:00
Cine Pop
Foto: Divulgação Diamond Films

Em cartaz nos cinemas, "O Drama", do diretor Kristoffer Borgli, parte de um casamento prestes a acontecer. Uma premissa simples para construir um estudo incômodo sobre intimidade, confiança e as zonas obscuras de qualquer relação. O que deveria ser o ápice do amor entre Emma e Charlie rapidamente se transforma em um território de dúvida quando uma revelação inesperada desmonta a imagem de perfeição do casal.

Zendaya e Robert Pattinson sustentam essa tensão emocional com a promessa de um jogo interpretativo baseado mais em silêncios e desconfortos do que em grandes explosões dramáticas. A proposta do diretor, conhecido pelo humor ácido, parece caminhar justamente nesse limite: entre o absurdo da situação e a dor real que ela provoca.

Mais do que um romance em crise, "O Drama" se insere em uma tendência recente do cinema de questionar o ideal romântico. Ao expor segredos e fragilidades, o filme sugere que amar, hoje, passa inevitavelmente por lidar com verdades incômodas e, talvez, insolúveis.

No fim, a pergunta que fica não é se o casal vai sobreviver, mas se ainda faz sentido acreditar na ideia de um amor inabalável, sem fissuras.

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